21 de outubro, eu conversava com Nathália. Em meio a tantos trabalhos não seria possível que o professor Hilário insistisse naquele maldito trabalho de fazer uma peça sobre os formandos de 58, 68 e 98. Sabíamos que não havia possibilidade de Márcio Hilário ter piedade de seus alunos. Isso nunca ocorreu, acredito. Seria como Snape distribuindo balinhas. Mas ainda tínhamos um fiozinho de esperança de que ele dissesse que não haveria tempo, pois ele precisaria fechar a matéria ou qualquer coisa assim.
No dia seguinte, foi sua aula. Fizemos um círculo. Ele fez as considerações finais do trabalho do livro "Cabeça do Brasileiro" (muito produtivo, vale ressaltar) e leu um texto de Machado de Assis, devo admitir, interessantíssimo. Mesmo considerando que não sou lá muito fã do seu estilo. Pra mim o grande gênio da literatura sempre será Guimarães Rosa...
Ao final de tudo isso, o sinal já havia feito seu habitual escândalo, e o professor acrescentou:
- Segunda que vem é feriado, então a apresentação da peça será na próxima quarta, nossa última aula. - eu e Nathália nos entreolhamos, de lados opostos da sala. Percebemos que todos também tinham a mesma expressão.
Nos desesperamos ligeiramente. Não havia como escrever, ensaiar e apresentar uma peça em uma semana, ainda tendo no meio a Festa temática e as eleições, além de todos os trabalhos já demasiadamente mencionados.
Meu grupo se reuniu no Sábado. Não pude comparecer por problemas pessoais, eles entenderam. À noite, antes da festa, Juliana me passou o "relatório" e me explicou tudo o que tinham resolvido. Me dispus a encontrá-los Segunda e Terça, o horário que quisessem, para compensar a falta de sábado. Dessa vez quem faltou foi a Ingrid. Seu papel tinha muitas falas e marcações, não dava para ensaiar sem ela. Resolvemos que eu trocaria de personagem com ela, então. Nos divertimos muito e nos estressamos muito também. Quase todo o roteiro foi alterado, muitas coisas foram completamente mudadas. O que havíamos pesquisado de 98 não parecia suficiente para preencher 20 minutos. Tentamos, semanas antes, entrar em contato com alguns formandos de 1998, mas nenhum deles retornou, o que dificultou nossa vida. Enfim conseguimos, com algum sacrifício. Ficou muito engraçado e os efeitos especiais eram fenomenais... Sim! Tínhamos efeitos especiais! Ensaiamos primeiro num corredor escondido, quase um beco, perto da direção. Depois pedimos um Anfiteatro para as marcações, onde ensaiamos ainda umas cinco vezes, talvez.
No dia da apresentação, mudamos partes do roteiro, houveram algumas improvisações, até. Os meninos eram atores natos. Todos nos divertimos ao máximo. Saímos de lá muito mais próximos. A Leilane gravou, aos interessados, eis o link.
Estávamos muito felizes, satisfeitos com todo o trabalho que tivemos. Mesmo tendo que faltar a cursos, CEFET, ou o que fosse para os ensaios. Não sabíamos se a peça agradaria ao professor. O que importava agora não era mais a nota. Pouco ligávamos para isso. No fim das contas tudo simplesmente valeu a pena. Seja para o que fosse. E acho que essa era a intenção do Hilário. Por isso, obrigada, professor. Em nome de toda a 1301, agradeço por nos obrigar a fazer algo que não queríamos. Obrigada por fazer com que discutíssemos uns com os outros sobre o roteiro. Obrigada por inventar o pior dos trabalhos no meio de tantos. E, principalmente, obrigada por nos ensinar mais do que gramática. Todas aquelas regras de Adjuntos, pronomes e locuções, serão esquecidas um dia (sejamos sinceros...). Mas o caráter e os valores ensinados são eternos. Momentos como esse ficam pra sempre. Ajudam a formar quem somos e nos dão cada vez mais orgulho de fazer parte desse imperial com mais de 170 anos de tradição em educação.
No dia seguinte, foi sua aula. Fizemos um círculo. Ele fez as considerações finais do trabalho do livro "Cabeça do Brasileiro" (muito produtivo, vale ressaltar) e leu um texto de Machado de Assis, devo admitir, interessantíssimo. Mesmo considerando que não sou lá muito fã do seu estilo. Pra mim o grande gênio da literatura sempre será Guimarães Rosa...
Ao final de tudo isso, o sinal já havia feito seu habitual escândalo, e o professor acrescentou:
- Segunda que vem é feriado, então a apresentação da peça será na próxima quarta, nossa última aula. - eu e Nathália nos entreolhamos, de lados opostos da sala. Percebemos que todos também tinham a mesma expressão.
Nos desesperamos ligeiramente. Não havia como escrever, ensaiar e apresentar uma peça em uma semana, ainda tendo no meio a Festa temática e as eleições, além de todos os trabalhos já demasiadamente mencionados.
Meu grupo se reuniu no Sábado. Não pude comparecer por problemas pessoais, eles entenderam. À noite, antes da festa, Juliana me passou o "relatório" e me explicou tudo o que tinham resolvido. Me dispus a encontrá-los Segunda e Terça, o horário que quisessem, para compensar a falta de sábado. Dessa vez quem faltou foi a Ingrid. Seu papel tinha muitas falas e marcações, não dava para ensaiar sem ela. Resolvemos que eu trocaria de personagem com ela, então. Nos divertimos muito e nos estressamos muito também. Quase todo o roteiro foi alterado, muitas coisas foram completamente mudadas. O que havíamos pesquisado de 98 não parecia suficiente para preencher 20 minutos. Tentamos, semanas antes, entrar em contato com alguns formandos de 1998, mas nenhum deles retornou, o que dificultou nossa vida. Enfim conseguimos, com algum sacrifício. Ficou muito engraçado e os efeitos especiais eram fenomenais... Sim! Tínhamos efeitos especiais! Ensaiamos primeiro num corredor escondido, quase um beco, perto da direção. Depois pedimos um Anfiteatro para as marcações, onde ensaiamos ainda umas cinco vezes, talvez.
No dia da apresentação, mudamos partes do roteiro, houveram algumas improvisações, até. Os meninos eram atores natos. Todos nos divertimos ao máximo. Saímos de lá muito mais próximos. A Leilane gravou, aos interessados, eis o link.
Estávamos muito felizes, satisfeitos com todo o trabalho que tivemos. Mesmo tendo que faltar a cursos, CEFET, ou o que fosse para os ensaios. Não sabíamos se a peça agradaria ao professor. O que importava agora não era mais a nota. Pouco ligávamos para isso. No fim das contas tudo simplesmente valeu a pena. Seja para o que fosse. E acho que essa era a intenção do Hilário. Por isso, obrigada, professor. Em nome de toda a 1301, agradeço por nos obrigar a fazer algo que não queríamos. Obrigada por fazer com que discutíssemos uns com os outros sobre o roteiro. Obrigada por inventar o pior dos trabalhos no meio de tantos. E, principalmente, obrigada por nos ensinar mais do que gramática. Todas aquelas regras de Adjuntos, pronomes e locuções, serão esquecidas um dia (sejamos sinceros...). Mas o caráter e os valores ensinados são eternos. Momentos como esse ficam pra sempre. Ajudam a formar quem somos e nos dão cada vez mais orgulho de fazer parte desse imperial com mais de 170 anos de tradição em educação.

1 manifestações:
Caramba!!! (já se percebe o nervosismo pela interjeição!!! rsrsrs...) O que eu posso dizer???
Muito obrigado pelo texto e, principalmente, pelo carinho que transborda dessas palavras. Fiquei muito feliz com o resultado dos trabalhos (e aguardem mais surpresas e emoções... o ano ainda não acabou!!! rsrsrs), tanto com relação ao livro "A cabeça do brasileiro", quanto no que tocou nosso resgate da memória do CPII.
Acho que você conseguiu me entender melhor do que eu mesmo o faria. De fato, sei que, na maioria das vezes, os trabalhos são feitos apenas porque valem nota: é a famosa relação do toma-lá-dá-cá. Sei mais ainda: que meus objetos e adjuntos serão esquecidos e, por isso, corro o risco de dizerem que eu não dou aula, porque deixo essas coisas para segundo plano.
Acredito que há algo mágico na vida e que estamos aqui com algum propósito. Já dizia uma canção das comunidades de base que "Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais!". É preciso que estejamos no mundo, com os olhos no mundo e, como Drummond, com o "sentimento do mundo". Pra isso, precisamos saber quem somos e olhar a nossa história. Mas a história viva, orgânica, essencial.
Penso que, de alguma maneira, conseguimos tocar isso. E confesso que, pra mim, o ano passou rápido demais. Havia tanto ainda a dizer... Mas, vá lá! Dizem que os pais criam os filhos para o mundo. De certa forma, também sou meio pai de vocês(durão, é verdade!)... e, nessa hora, tenho de vê-los partir, a caminho do mundo...
Bem, mais uma vez, obrigado por vocês aturarem as minhas loucuras e espero que elas tenham sido úteis. Nosso tempo precisa de mais loucos e sonhadores... que sejamos nós!
bjs,
Márcio Hilário.
Postar um comentário