quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Passos lá fora


Você me ligou dizendo estar à caminho. Eu fiquei feliz e em pânico ao mesmo tempo. Claro que eu queria que você estivesse aqui, mas já são quase 10 da noite e eu não permitiria que você viesse de tão longe a essa hora. Eu pedi que você ficasse. Poderia vir amanhã. Desliguei o telefone e ouvi o barulho do portão seguido por passos no corredor. Sorri e pensei por que você disse pra mim que estava longe se já hava chegado. Imgagnei sua expressão a entrar e calculei quantos beijos conseguiria te dar no segundo em que abrisse a porta. Então os passos foram se distanciando. Não era você que chegava. Podia ouvir as chaves do vizinho abrindo a porta. Podia sentir meu sorriso desaparecendo. Podia ver a solidão chegando outra vez ao mesmo tempo que a alegria se esvaia. Por que você estava tão longe? Por que não foram seus passo que ouvi no corredor? Mas agora não importa. Você dormirá na companhia de amigos. Eu continuarei sozinha. Apenas esperando que sejam seus os passos lá fora.

Dia de chuva




Meio deitada na cama em uma posição estranha, vestindo uma camisa bem maior que ela com o computador no colo lendo blogs alheios e ouvindo músicas melancólicas decidindo-se se veria agora ou depois o episódio baixado daquela série de TV que namorado a apresentou. Sim, ela tem namorado, mas sua aparência é de quem está numa fossa sem fim. Não que ela esteja infeliz com ele ou nada disso. Apenas que ele não está ali com ela, porque ela precisa estudar naqueles livros que estão espalhados pela cama bem ao seu lado, mas ela não tem ânimo de ler. Deveria ter saido há uma hora mais está aqui. O dia hoje era pra ser produtivo, mas tomou outro rumo. Não está sendo inútil porém, e sim proveitoso. Pra muitos, dá no mesmo. Pra ela, há uma grande diferença.

Acordou e antes mesmo de tomar café tratou de limpar a casa. Largou na metade, mas se sentiu satisfeita. Chegou a pegar uma revista pra ler, mas logo trocou por um livro, já que ela precisava mesmo estudar. Nem chegou a abrí-lo. Tratou de comer alguma coisa e enquanto comia resolveu baixar o episódio do tal seriado. O download terminou assim que ela pretendia sair, já quase pronta. Foi então que a chuva caiu e levou junto com ela para o ralo o fiozinho que restava da sua vontade (ou obrigação, não se sabe) de sair. Decidiu que ficar em casa seria mesmo muito mais útil que sair para ouvir duas mulheres dizendo coisas que ela já sabia, e outra não dizendo nada, apenas lhe mostrando como se faz algo que ela nunca mais irá repetir.

Mas em vez de fazer as coisas úteis que tinha em mente, se largou na cama ainda rodeada de livros, pôs o computador no colo resolvendo depois de muito zanzar por sites alheios que finalmente veria o episódio. Mais tarde estudaria e cumpriria suas obrigações... e à noite, só o que lhe resta é esperar que o amanhã chegue, trazendo com ele mais ânimo acompanhado da certeza de que teria mais alguém ali quando ela chegasse.

domingo, 18 de outubro de 2009

Água Contida

Eu, chorando
Com essa cara toda amassada
Com esse olho em carne viva, retalhada
E esse nariz que não pára de escorrer

Eu, chorando
Tão previsível quanto areia no deserto
Mais patético sem ninguém por perto
Tão imenso que não dá mais pra conter

Então sai, deixa correr
Toda a água contida
Então sai, deixa correr
Toda mágoa velada é água parada
E uma hora transborda

Você pode não entender se às vezes fico pelos cantos
Um tanto quieta, recolhida, mergulhada no meu pranto
É que ele me liberta na hora
No momento em que eu boto pra fora
O que já não me serve vai embora
E assim, eu fico leve

Pitty

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O menino Pedro

Estava chateada com uma nota que tirei e caminhava de cabeça baixa, pensando. O que eu fiz de errado para aquela professora de história me dar apenas 6,5 numa prova tão boa como aquela? E olha que foi a melhor da sala! Ela me deu os parabéns! Parabéns por uma nota que ela julgava ótima. Eu, insuficiente.

Cheguei ao ponto de ônibus e fiquei com isso na cabeça, achando que era o pior problema do mundo! Até que eu ouvi um motorista discutindo com um garotinho. Devia ter uns 8 anos. Tentava de todo o jeito que o motorista abrisse a porta de trás pra ele, mas ele não podia, pois o menino estava sozinho. E o menino então começou a chorar em desespero:
- Mas cadê a minha mãe?!!! Pra onde ela foi??!!!

Eu fui na direção do menino e o abracei como se fosse o meu filho. O desespero dele despertou em mim um instinto de proteção que eu experimentei poucas vezes. Nisso o ônibus foi embora. Eu perguntei a ele aflita o que havia acontecido, se a mãe dele estava naquele ônibus, e ele disse que não. Ele não sabia onde estava a mãe.

- Eu estava do lado dela e me virei. Quando virei de novo, ela sumiu! Agora eu preciso pegar o 472 e ir pra casa da minha avó. - disse chorando, gritando, desesperado.

Parece que era o único lugar onde ele sabia ir sozinho. E quando se perdeu da mãe, sua primeira reação foi tentar pegar o ônibus em direção a um lugar conhecido.

- Você sabe chegar lá? Então eu vou te levar. - eu disse.

Fiz sinal para um 472 que passava naquela hora. Expliquei rapidamente a situação ao motorista que nos abrigou e ofereceu o celular para que eu tentasse ligar para a mãe de Pedro, que ainda nervoso, começara a falar sem parar. Ninguém atendia do outro lado da linha. Fiquei imaginando o desespero de Paula, procurando seu filho.

Pedro disse que estudava no Colégio Brasileiro. Bem em frente ao meu colégio e muito perto do ponto de ônibus onde estávamos. Se soubesse dessa informação antes, eu o teria levado para a escola, que além de mais perto, tem os contatos da família dele. Mas agora já não havia mais como voltar. Como não conseguíamos falar com a mãe do menino, resolvi ligar para a casa da avó e avisar que Pedro estava a caminho e pedir que tentassem localizar sua mãe. Chegamos à Central do Brasil e Pedro pediu que o motorista parasse. Descemos e atravessamos algumas ruas. Ele não tinha muita certeza do caminho, o que me deixou aflita. Se nos perdêssemos, não teríamos como ligar para avisar, já que no ônibus, usamos o celular do motorista, o meu não tinha créditos. Felizmente, encontramos o avô dele no caminho. O menino correu para abraçá-lo e o senhor, enquanto apertava o menino contra o peito, segurou minha mão com força emocionado, em agradecimento. Ele não conseguia falar. Eu sorri, me virei, e fui embora. Não havia o que dizer. Meu papel estava feito e eu torcia que Paula soubesse logo que seu filho estava bem.

Aquilo tudo durou cerca de meia hora. Tudo aconteceu tão depressa, mas ao mesmo tempo, eu parecia conhecer Pedro, sua mãe e seu avô desde sempre, pois o desespero de todos eles se ligou ao meu de forma que parecíamos um só.

Segui meu caminho ainda atordoada, pensando em tudo que se passou naquela quarta-feira estranha. Quando cheguei ao pré-vestibular, todos estavam comentando assuntos normais, rindo e vivendo normalmente. Por um milésimo de segundo me perguntei porquê o mundo todo não estava preocupado com Pedro como eu estava. Depois me lembrei que enquanto muitos sofrem, os outros não fazem nem ideia.

Nunca cheguei a conhecer Paula. Nunca mais vi Pedro e seu avô. Nunca mais pensei naquela nota de História.




Ps: Esta história aconteceu de verdade, no ano passado com esta que vos tecla. É um momento que nunca vou esquecer.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Enquanto isso, em Stanford...

Estava eu concluindo as últimas tarefas da matéria Introdução aos Estudos Universitários nesta manhã de sexta. Uma das tarefas era a participação em um fórum de discussão sobre este vídeo, que muito me chamou a atenção. Trata-se do discurso do Steve Jobs para a turma de formandos do ano de 2005 em Stanford.

Acho importante que todos vejam este vídeo e vejam nele uma lição para a vida.